|
daniel@institutobemestar.com.br
E
há também aqueles
dias em que a gente acorda
com uma sensação
estranha, um sentimento de
que o mundo é um lugar
diferente do que deveria ser,
e isso causa em nós
tristeza e ao mesmo tempo
revolta.
Começamos então
a procurar a causa dessa sensação,
e logo nos voltamos para a
realidade social, tão
injusta, tão feia.
Ficamos indignados e começamos
a achar que não adianta
nada votar, ajudar, trabalhar,
blindar o carro. Mais cedo
ou mais tarde a pobreza se
mostra em sua crueldade e
não há como
escaparmos disso.
O problema é que isso
só não explica
o que sentimos, algo está
mais errado do que a injustiça
social. Tem coisa incomodando
mais do que a má distribuição
de renda. E lembramos então
do nosso trabalho, que é
uma bênção,
claro, ninguém quer
ficar desempregado, mas que
poderia bem ser um pouco mais
tranqüilo, sem tanta
cobrança, sem tantas
obrigações.
O chefe até que colabora,
mas não é culpa
só dele, é que
ele também é
cobrado e não pode
fazer nada. E nessa hora descobrimos
que ganhamos menos do que
gostaríamos, menos
até do que merecemos,
e imaginamos que o certo seria
ganhar pelos menos o dobro
e trabalhar no máximo
a metade. Não é
bem tristeza, o que sentimos,
mas nostalgia, saudade de
um lugar onde nunca estivemos.
Mas de onde vem aquela pontinha
de tristeza, afinal? Pensamos
no namoro que nos faz falta
se estamos sozinhos e questionamos
nosso namoro se estamos com
alguém. Talvez seja
isso, mas não só.
Lembramos da nossa família,
de nossos pais que tanto trabalham
às vezes fazem-nos
sentir ingratos, como são
todos os filhos. Decepção
conosco mesmos.
E pensamos na guerra, no amor,
na fome, na abastança.
Nada parece explicar o que
sentimos.
Então, de repente começa
a crescer em nós um
sentimento diferente, difícil
de colocar em palavras, mas
que de certo modo traz conforto.
A vida segue seu curso, os
problemas antecedem as soluções
e nada muda realmente. Lutamos
e trabalhamos por um mundo
melhor, porque é para
isso que estamos aqui, mas
sabemos, sem querer admitir,
que melhor mesmo só
no porvir. E a paz que nos
invade está dizendo
que é assim mesmo,
e que nesse momento entendemos
um pouco mais como Deus vê
a criação.
|